segunda-feira, 28 de abril de 2008

O mito da falta de terra cultivável

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), defendeu o direito ao desmatamento --desde que não o ilegal-- como forma de enfrentar a crise global de alimentos, em entrevista a Folha de S. Paulo. "Com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está ou se vamos produzir mais comida. E não há como produzir mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada de árvores."
O problema desse tipo de discurso é que ele estimula o desmatamento ilegal. Afinal, ninguém precisa discursar para defender o que já está na lei. E Mato Grosso tem um quarto das 36 cidades apontadas pelo ministério como as campeãs do desmatamento ilegal.

Além disso, o discurso de Maggi também dá força para a base parlamentar que discute na Câmara um projeto de lei para reduzir a proteção da floresta. Hoje, só é possível desmatar 20% da área. Os fazendeiros querem mudar para 50% da área, e ainda conseguir o perdão do que foi desmatado ilegalmente até hoje.

O discurso de Maggi se ampara em uma falsa premissa: a de que falta terra para expandir a produção no país. Isso é um mito alimentado pelos que lucram com a devastação. O Brasil já tem áreas desmatadas, abandonadas ou mau aproveitadas, que somam um território equivalente aos Estados do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Cerca de 56 milhões de hectares são ocupados por uma pecuária de baixa produtividade. Ali, cada boi pasta num terreno equivalente a dois campos de futebol. Em fazendas mais modernas, em São Paulo, a mesma área sustenta seis cabeças. Isso foi publicado em reportagem recente da Época.

A principal razão para o desmatamento não é necessariamente aumentar a produção agrícola. Isso seria possível com investimentos em produtividade. A expansão da agricultura e da pecuária na Amazônia ainda ocorre porque é fácil e lucrativo se apropriar de terra pública. Os invasores invadem áreas de floresta pública (a maior parte da Amazônia) e roubam madeira. Com lucro da venda ilegal das toras, desmatam a terra e levam bois para lá para garantir sua ocupação – que lhes daria direito de posse.

Em nome de Alexandre Mansur

Enviado por EcoLinks à lista veg-brasil.

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