domingo, 11 de maio de 2008

As Baratas da Arisco

Pra dar mais ânimo aos hoaxes e aos sermões vegetarianos, aí vai mais uma (aproveite porque fora da internet isso não será encontrado):

***

AS BARATAS DA ARISCO

Poucos dias antes do carnaval, comprei dois potes de vidro de geléia de mocotó Colombo para o Pedro (meu filho). Lavei os dois copos e os coloquei na geladeira. O Pedro comeu o primeiro no próprio dia, normalmente. Dias depois, chegando do carnaval, de madrugada, cansado, ele abriu o segundo pote, mas, por que Deus existe e é bom, não saiu comendo como costumava fazer. Como vocês podem constatar nas fotos a seguir, as tantas baratas que estão no pote fazem parte da própria receita. Apesar de todos me dizerem para entrar direto contra a Arisco na justiça, eu quis dar um voto de confiança para a empresa e, em documentos protocolados, solicitei duas coisas:

1. A garantia de que a empresa produz seus alimentos dentro de todas as normas de higiene recomendadas
2. Uma compensação pro Pedro, que quase comeu aquela porcaria (só no final das negociações nós especificamos o que seria essa compensação - um computador e uma impressora).

http://img183.imageshack.us/img183/7887/att162654ap9.jpg
O Atendimento ao Consumidor me tratou super bem, e duas funcionárias vieram de São Paulo para recolher o produto e mandar examiná-lo. Eu convidei uma amiga para presenciar o encontro e esta amiga viu tudo, viu as baratas na geléia, quero dizer, e as funcionárias... Enfim, elas levaram o pote e solicitaram 20 dias para o exame em laboratório.

http://img337.imageshack.us/img337/2717/att162655rx3.jpg

Neste ínterim, convidaram a gente para ir à fábrica, em Goiânia. Eu não pude ir, o Pedro foi. Voltou no mesmo dia, chateado. Fizeram ele assinar um documento onde se comprometia a não divulgar nada do que viu na empresa.

'Me convidaram para ir à fábrica onde é produzido o mocotó, que fica em Goiânia. Tinha a espectativa de que fosse uma grande indústria. Na preparação para entrar, coloquei avental, touca, protetor de ouvido e lavei as mãos. Uma vez lá dentro, entretanto, que decepção. A linha de produção do Mocotó ocupava uns 40 metros quadrados apenas (sendo que sobrava espaço). As máquinas eram velhas e escurecidas. O ladrilho do chão era de difícil limpeza e por isso, há muito não era limpo. Alguns ladrilhos soltos, revelando um chão imundo por baixo. Apesar de nós usarmos proteção para entrar no galpão, ele não era herméticamente isolado: havia uma saída de ar comum. De positivo, o fato de que em nenhuma das etapas ali à vista o produto tomava contato com o ar, e ninguém tocava no produto. O laboratório de exames por amostragem também trabalhava frenéticamente, sinal de que os testes eram rotineiros mesmo. Perguntei como ficavam estocados os insumos. A gerente de controle de pragas me disse que era de difícil acesso e tinha demasiados produtos (e daí ?). Em seguida perguntou se eu não estava convencido de que o processo deles era infalível. Eu apontei os defeitos. Não aceitaram meu argumento. Ficaram dizendo onde tinham se formado em química ou engenharia de produção (Campinas e Usp). Eu respondi que não duvidava da qualidade do trabalho deles em geral, mas que tinha ocorrido um erro.

- Pedro, me perguntaram, como é que VC sabe que o produto não foi contaminado na cadeia de distribuição ?

- 'Mas só se fosse de sacanagem. Como é que nos caminhões e supermercados iriam abrir a lata, colocar baratas cozidas dentro do mocotó e depois fechar de novo, à vácuo?'

Resumindo, quanto à nossa primeira solicitação, a Arisco concluiu que tudo por lá é uma beleza, que os doidos somos nós...

http://img337.imageshack.us/img337/3457/att162658vs2.jpg

Quanto à segunda solicitação, tudo que a empresa nos daria seria uma outra embalagem de geléia de mocotó como ressarcimento. (Supomos que SEM BARATAS...). Portanto, estamos entrando com um processo contra a empresa, denunciando à Vigilância Sanitária de Goiânia e mostrando as fotos e contando a história para vocês. Por favor repassem este email para as pessoas cuja saúde vocês prezam.

Muito obrigada, um abraço !
Suzana Silva

***

EXEMPLO DE SERMÃO CERVEJETARIANO:

Realmente, não sei porque a bronca. O produto que essa mulher comprou era mocotó (ossos, tendões e peles de cadáveres de bois cozidos até derreterem), ou seja, cadáver, e o que a mulher encontrou lá dentro também eram cadáveres. Era apenas um complemento. Francamente, tanta gritaria por haver um brinde a mais no produto fornecido gratuitamente pelo fabricante (Arisco), para uma pessoa que já era acostumada a comer isso (cadáver em decomposição). É muita incoerência. Se fossem pessoas vegetarianas, que não consumissem nem iogurte de morango (cheios do inseto cochonilla, que dá a cor carmim), e comprassem um produto sem nada animal, aí, sim, teriam todos os motivos para reclamarem. Paulo Bastos.

Porque hoaxes, carência de fontes, e ironização cruel também não são vegetarianismo internético.

2 comentários:

Paranoid Android disse...

O homem é o único animal capaz de manter uma relação amigável com algo que ele pretende comer.

Anônimo disse...

Caro Silas,
A história da Arisco mereceu grande atenção por parte das pessoas que receberam o meu email e o publicaram em seus sites e blogs. Então, em primeiro lugar, muito obrigada. Informo que depois de a empresa Unilever Best Foods (verdadeira dona da marca Arisco) tentar, inclusive, recorrer ao Supremo Tribunal Federal, ela foi condenada a me pagar danos morais. Ou seja, ganhei a ação (eu não esperava outra coisa) e a advogada recebeu em dobro pelo trabalho dela, pois a empresa foi digamos (não conheço o termo técnico) "multada" por recorrer ao STF, dado que a matéria não é julgada lá. Estou empenhada em escrever para os blogs que publicaram a notícia, para incentivar as pessoas a acionar as empresas quando uma coisa dessas acontece.
Um abraço e parabéns pelo seu blog.
Suzana Silva

Mais campanhas ou recomendações: