segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sabryna Tosta: Carne, o Mito

Segue um texto simples e claro, que tenta expor que comer carne é não pensar direito, e que é desnecessário, passando pelos principais argumentos pro-veg, bom pra quem nunca pensou nisso refletir simploriamente (se não quiser ler, passe o olho pelos meus negritos e saiba do que se trata):

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Há milhares e milhares de anos, uma descoberta mudou os hábitos de toda a humanidade: o controle do fogo pelo homem, que proporcionou segurança, conforto, desbravamento do ambiente e, claro, repercutiu, e muito, nos hábitos alimentares. A comida, antes mera questão de sobrevivência, ganhou status de um novo terreno a ser explorado – o terreno do sabor, da degustação – tornando-se a base das conquistas, dos ritos, das reuniões... E comer virou sinônimo de celebrar.

Aniversários, Natal, casamentos, formaturas, inaugurações, tudo devidamente apoiado numa boa comida. Mas não qualquer comida. Seja qual for o motivo da comemoração, a estrela principal é sempre ela, a carne. Afinal, por que não? Seja vermelha ou branca, ela é tão gostosa, suculenta e, além de tudo isso, é fonte de proteínas e sinônimo de fartura. Não é?

É isso o que ouvimos desde a mais tenra idade, o que vemos divulgado na mídia e o que os próprios médicos (em sua grande maioria, pois há exceções) repetem ano após ano. Sendo assim, só pode significar que estão todos corretos, não?

Na verdade, a alimentação é um hábito construído ao longo dos séculos. Por que comemos certos tipos de alimentos e outros não? Cada região possui suas peculiaridades de solo e clima, o que gera óbvias diferenças na alimentação de um mexicano e de um japonês. Mas a resposta a esta questão é mais profunda: nós nos acostumamos a comer aquilo o que a nossa sociedade come. Quando chegamos a este mundo, os parâmetros alimentares já estão traçados, e cabe a nós apenas aderir a eles, sem maiores reflexões, certo? Afinal, quem somos nós para discutir hábitos milenares?

Por isso, em nosso país, devorar um cachorro é algo abominável e impensável aos olhos da maioria, mas carnear e devorar um boi é perfeitamente natural e, portanto, aceito. Aqui, o cão é o melhor amigo do homem, enquanto o boi... bem, o boi é sempre um bom churrasco, não é mesmo? [nem precisa falar dos Chineses, Coreanos, etc...]

Mas, qual é a diferença entre um cachorro e um boi ou um porco? Todos eles não são seres vivos, não sentem dor, frio, fome, sede? Então, por que comemos o boi, o porco, a galinha e jamais comeríamos o cachorro? Voltamos ao ponto de partida: a nossa alimentação é a repetição, muitas vezes irrefletida, de um ato amplamente aceito.

No mundo atual, com tantas possibilidades e facilidades para a produção de alimentos, será mesmo necessária uma dieta baseada na carne para vivermos?

De modo geral, podemos dividir os nutrientes de que precisamos em: carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, além de fibras e água. Todos eles, em diferentes quantidades, são igualmente importantes para o funcionamento do nosso organismo, já que tudo o que comemos nos fornece uma gama de nutrientes essenciais. Entretanto, em nossos dias [na cidade], os maiores problemas de saúde são causados por excesso de nutrientes, e não por sua falta. E a principal causa de doenças cardíacas e câncer é a alimentação.

A carne fornece proteínas, gordura, algumas vitaminas do complexo B e minerais (principalmente ferro, zinco, potássio e fósforo).

O peixe ainda provê vitaminas A, D, E e iodo. No entanto, todos esses nutrientes podem ser obtidos através de outras fontes: nozes como avelã, castanha-do-pará, amêndoa, castanha de caju; sementes como gergelim, abóbora, girassol; leguminosas como ervilhas, feijões, lentilhas; produtos à base de soja e cereais como trigo, cevada, aveia... Vegetais como feijão, couve e espinafre são ricos em ferro, e sua ingestão em boa quantidade, acompanhada de vitamina C (suco de laranja, por exemplo), maximiza a absorção desse importante mineral. Arroz e trigo integral são melhores porque também contêm ferro.

Se nos atentarmos para estudos e pesquisas recentes, perceberemos que a dieta humana está carente de vegetais variados, que conferem proteção contra muitas doenças, e pecando pelo excesso de proteínas e gorduras, abundantes na carne.

Há milhões de anos atrás, o homem não sabia plantar nem detinha o conhecimento acerca das propriedades protéicas das plantas. Hoje, se o planeta não se alimentasse de carne, provavelmente a fome mundial seria reduzida. Isto porque os rebanhos destinados a abastecer a indústria da carne consomem grande parte dos recursos do planeta: comida, água e espaço para cada 1 (e são milhares!!) dos animais criados.

Fora isso, a área terrestre que a pecuária ocupa se expande a cada dia, derrubando florestas (inclusive a amazônica) e devastando áreas que poderiam ser destinadas às lavouras, menos dispendiosas e que renderiam muito mais recursos para combater a fome.

Não é à toa que a carne é considerada um artigo de luxo: sua produção custa caro ao meio ambiente e não chega ao prato de quem realmente precisa de comida. A verdade é que as pessoas que consomem carne têm condições financeiras de se manter perfeitamente bem sem ela. [e com muito mais saúde!]

Diante disso, a conclusão é: comemos carne não porque seja realmente necessário e indispensável à nossa sobrevivência, mas por questões de hábito, por repetirmos impensadamente um costume socialmente imposto desde nosso nascimento, ou mesmo por um prazer efêmero.

A decisão sobre o que comemos, aparentemente a mais banal de todas, é certamente uma das mais importantes, pois é através dela que damos nossa colaboração diária, não apenas para a nossa saúde, mas para o futuro da Terra.


REFERÊNCIAS:

"Deveríamos parar de comer carne?", por Denis Russo Burgierman – Revista Super Interessante, abril 2002, Ed. Abril, pág. 42-50

"O ponto da carne", por Denis Russo Burgierman – Revista Vida Simples, maio 2005, Ed. Abril, pág. 20-29

"Nutrição Básica, Folha de Informação", retirado do site www.vegetarianismo.com.br

"Você tem fome de quê?", por Débora Dimes em artigo para a Revista Vida Simples, retirado do site www.vegetarianismo.com.br

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira, grupo POA

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